MEMÓRIAS DE APAIXONADO POR RÁDIO.

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MEMÓRIAS CONTADAS, ANTES QUE EU ESQUEÇA.(CAPÍTULO I)


De que é feito um locutor de rádio? de uma boa voz???

De uma meia dúzia de gírias??

De uma boa leitura??

De um empurrãozinho de alguém bem articulado?

De uma chance que acontece uma vez na vida?


Há mais ou menos trinta e cinco anos atrás, eu fazia leituras na igreja da Sé, depois das reuniões do grupo J.U.A.C, orientado pelo padre, médico e psicólogo João Mohana. Foi ali, num domingo na igreja da sé, que perceberam que a minha voz servia pra alguma coisa. Foi ainda naquele altar que o Padre Mohana me fez convite para “ajudar” em um programa na Rádio Educadora, uma rádio que eu havia ouvido ainda nos meses de caráter experimental. Lembro-me bem que foi lá que ouvi pela primeira vez a palavra solidariedade, e mesmo saber o significado, guardei na memória, e depois já como profissional desta emissora, compreendi completamente, cada vez que um daqueles milhares de ouvintes do interior, se manifestava por carta, quase sempre, por telefone, ou pessoalmente lá na Rua do sol, palácio verde do Rádio, 535, depois no prédio da Arquidiocese e por último na Rua Frei Querubin, 57. Posso dizer que a Rádio Educadora, moldou o perfil deste profissional, é como se estivéssemos predestinados um ao outro, mão e luva. Quando os microfones eram ligados, eu sabia exatamente o que dizer, sem querer desmerecer os outros brilhantes companheiros no convívio de tantos anos. Tantas lembranças ali vividas: coberturas de missas, futebol, jornalísticas. Entre estes ícones que entrevistei, dois me marcaram de forma especial.

Eu estava no ar em programa da manhã, o diretor abriu a porta e me disse que teria uma entrevista especial com D.Helder Câmara. Prontamente perguntei – Quando? – A resposta me deixou petrificado – Em cinco minutos, disse o diretor. E assim foi. Aquele homem de estatura pequena, rosto angelical, entrou me desejou bom dia. Era tão baixo que permaneceu de pé para alcançar o microfone “cara de gato” da emissora. Estava nervoso demais, creio que ele percebeu. Fiz apenas uma pergunta e aquele orador fantástico foi derivando outras perguntas. Assim foi por trinta minutos desenvolvendo uma espécie de sinfonia cheia de palavras cheias de sentido. A partir daquele dia comecei me preparar para não mais ser pego de surpresa, passei a imaginar entrevistas com as figuras mais variadas.

O outro ícone eu conhecia da leitura de “Cadernos do terceiro mundo” que ele lançara e que eu saboreei e colecionei em tempos de adolescência, Neiva Moreira. Naquele ano ele fazia parte do governo do amigo Jackson Lago, e Jackson havia feito um pacto com Roseana Sarney, lembram?. Pouco antes de entrar para o estúdio, ele me chamou lá fora e pediu : “Filho, vamos deixar este assunto da parceria de Jackson e Roseana, fora da entrevista?”. Olhei para os cabelos brancos daquele homem, lembrei-me que havia estudado em uma escola no meu bairro que levava o nome dele, lembrei de como aprendera lendo seus Cadernos de terceiro mundo e resolvi entrevistar não o político, mas o brilhante jornalista, que havia rodado o mundo inteiro em busca de informação.

Rádio: "A gente nem pode se ver, mas eu tenho certeza que a gente já se conhece" (Gerebinha Jones)

Como se faz um locutor de rádio? Como se constrói uma vida na comunicação? Em minha próxima postagem conto um pouco mais, até a próxima.

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