Maria Aragão, exemplo de força e simplicidade.

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Sua história tem origem na extrema pobreza, mas ela logo parte em busca da superação da fome, do preconceito (por ser negra e mulher no inicio do seculo passado), da agressão e da perseguição do sonho de ajudar a humanidade. Dotada de um grande senso de liderança, enfrentou as oligarquias políticas, em pleno regime militar na década de 60, e sofreu as perseguições promovidas pela ditadura.

Através da medicina, Maria Aragão entrega-se às causas sociais, lutando por uma sociedade justa e igualitária. foi uma eterna defensora das bandeiras libertárias continua a ser referência para a luta popular do Maranhão. Maria Aragão fez história como líder do Partido Comunista Brasileiro, no estado do Maranhão. A médica foi também diretora do jornal Tribuna do Povo e lutou contra a ditadura militar[. Em 1980, alinha-se a Luiz Carlos Prestes na ruptura deste com o PCB, compondo a então Corrente Prestista, com outros dirigentes brasileiros, como Gregório Bezerra.

Homenagem mais que justa.

A médica teve sua vida retratada e foi homenageada no vídeo-documentário “Maria Aragão e Organização Popular”, realizado pela Escola Nacional Florestan Fernandes. O DVD do documentário acompanha um livro e faz parte da segunda fase da série Realidade Brasileira, voltada para bibliotecas públicas, pontos de cultura e escolas públicas[.

Em São Luís, foi inaugurado o Memorial Maria Aragão, em 2004, projetado Oscar Niemeyer, que abriga um acervo em sua homenagem, além da Praça Maria Aragão.

maria, carnaval e simplicidade

Deixem eu contar uma história que não está nos livros, e que assisti anos seguidos durante a cobertura de carnaval.

Nós chegávamos cedo para começar a cobertura, e bem antes que tudo começasse, Maria Aragão, que poderia escolher os melhores lugares nos camarotes oficiais, chegava sem alarde, anonimamente carregando uma caixa de isopor com água, alguma coisa pra comer e uma sombrinha colorida. As pessoas em volta não se davam conta daquela presença tão ilustre que sentara no degrau mais alto. A batalhadora de causas sociais que merecia o respeito de grandes nomes da política do mundo. Ela Maria Aragão, preferia o anonimato das arquibancadas, ao lado do povo que defendia com garras. o tempo ia passando e o povo ia ocupando os degraus, envolvendo Maria, que do alto assistia o desfile até o final. Naquela mesma passarela ela seria cantada em versos em homenagem da Favela do Samba.

Mais uma lembrança; era o ano de 1978, estudante de Farmácia, eu era integrante do DA de Farmácia e tive a honra de participar de uma reunião que criou o comitê de campanha de Haroldo Sabóia. Momento histórico. Em volta de um tacho cheio de caipirinha estavam Haroldo, Maria Aragão e tantas outras figuras de peso daqueles anos de final de ditadura e início da abertura política. Foi a única vez em que estiva de frente com esta mulher tão importante para o Maranhão e para o Brasil.

Hoje quando passo pela Praça que leva o nome dela em obra do amigo Oscar Niemayer, que não aceitou pagamento pela obra que homenageava a amiga, fico pensando; será que as milhares de pessoas que passam por alí, para compras de artesanato, fazer fotos ou assistir show variados, têm noção do espaço onde pisam e principalmente da importância de maria?

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