Palácio das lágrimas que continuam…

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Lembro agora de subir as escadas do prédio que abrigáva as Faculdades de Farmácia e Odontologia. Parecia um mergulho no tempo. Era o final dos anos 70. As lembranças são muitas; a farmacotécnica de Garrido, economia farmacêutica de Mendes Pereira, aulas do professor Benedito, ensinamentos do genial Serrão. Naquele tempo a Faculdade Farmácia estava entre as melhores do país. Caminhando hoje pelo centro, depois de conversar com dezenas de ouvintes do Repórter Difusora que me abordaram pelo caminho, me deparo com a imagem de um prédio de tantas histórias, agonizando.

Fachada da Faculdade de Farmácia e Odontologia em ruínas.

Não resisto ao desejo de registrar o abandono. Prédio cheio de histórias caindo aos pedaços. Subo nas escadaria da Igreja de São João pra ter uma visão mais ampla do descaso, firmo e celular e chamo atenção do guarda, que me encara como se perguntasse o porque do registro de algo tão feio.

Não ligo para o olhar de reprovação do moço. Faço mais um registro.

Entro na igreja, escolho um banco pra sentar e me lembro das histórias antigas que ouvi, de épocas em que o prédio agora em ruínas, abrigava família rica da cidade e onde dizem ocorreu um assassinato, que deu ao prédio o nome de palácio das lágrimas. Não me lembro direito da história, mas um guarda do prédio me contou que durante a noite ouvia gritos que vinham de uma das salas.

As lágrimas de agora são pelo desprezo por espaço tão histórico. Até a placa que previa a reforma por órgão federal, virou fantasma.

Custo acreditar, que neste caso, tombamento histórico, tem a ver com queda, destruição. E haja lágrimas.

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