DOAR UMA CESTA, É O BASTANTE? (05.04.2020)

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Olá, vamos conversar. As imagens estão por toda parte. Pessoas, grupos de pessoas, corporações, doando toneladas de alimentos, roupas, remédios, materiais de toda natureza. ótimo.

Pensemos; Será que basta apenas confeccionar camisas bonitas, tipo : na luta contra o corona, estamos vencendo o corona, juntos venceremos o corona etc, etc, etc. Uma camisa custa em média quinze reais, juntando mais dezenove reais, compra-se uma cesta básica. Ponto.

Vejamos outro aspecto; As periferias. Citemos o exemplo da Raposa. Região à beira mar. Peixes estão no mar. A geografia mostra uma natureza exuberante, naquele solo, em se plantando tudo dá. Esta máxima de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, ainda está valendo. Doar cesta é bom, mas daqui a pouco, vai faltar dinheiro para mais doações. Quanto tempo vai durar a pandemia?

Lembrei-me agora da expressão bem antiga: Ensinar a pescar, acrescente-se, ensinar a plantar, a colher, a explorar o que está no nosso meio. Sou de uma geração que tinha canteiro no fundo dos quintais, de lá saia cuentro, cebolinha, tomate, alface. Eu nasci e me criei às margens do rio anil, meu pai era pescador, o que comprávamos na quitanda era sal, açucar, óleo, arroz e farinha. O restante vinha do quintal e do rio. Se faltava batata, nossa mãe colhia mamão verde e temperava.

Quero apenas dizer, que este momento precisa nos encontrar confiantes e atentos para olharmos em volta e descobrir a riqueza que a natureza nos dá de forma gratuita. Somos uma sociedade que evoluiu enchendo nossos espaços com tudo sintético. A indústria da modernidade nos deixou acomodados roupas sintéticas, alimentação sintética, remédios sintéticos. “Compramos tudo prontinho nas lojas, como as lojas não vendem amigos, a gente não tem mais amigos”, a frase é de Saint Exupèry do livro”o pequeno príncipe”. Alguns me acharão ultrapassado e bobo pela citação, não me preocupo.

Preparemo-nos para distribuir sementes e ensinar a plantar e colher, ensinar a pescar e preparar o peixe.

Parei de teclar para dar uma olhada nas manchetes: Gabigol se exercita pra permanecer em forma, Escolas de samba entram na luta contra o corona, Rainha grava aos britânicos e fala de tempos de dor, por insumos governo dialoga com a indústria, número de mortos chega a 65 mil no mundo.

Não sei porque me veio agora uma frase de um diálogo que tive como meu pai na década de 60. Dizia o meu pai : “Robson, haverá um dia em que uma criança buscando coisas no lixeiro, vai perguntar – Pai o que é isto? . E o pai dirá : “Filho este é o osso do santo boi, ele há muito tempo serviu de alimento para as pessoas”. Meu pai se baseava em uma conversa que teve com o meu avô, muitos anos atrás. Quem tiver olhos que veja, quem tiver ouvidos, que ouça.

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